TJMG anula contrato de empréstimo consignado em Benefício Assistencial (BPC/LOAS) de menor de idade

A instituição financeira responsável pela operação deve suspender os descontos e cancelar o cartão de crédito.

Por Equipe IEPREV em 7 de Maio de 2025

A Justiça de Minas Gerais anulou um contrato de cartão de crédito consignado feito em um Benefício Assistencial (BPC/LOAS) de uma criança de 4 anos. A instituição financeira responsável pela operação deve suspender os descontos e cancelar o cartão de crédito. Além de pagar uma indenização de R$ 10 mil por danos morais.

De acordo com o processo, a ação foi movida pela mãe da criança, que alegou ter solicitado um empréstimo consignado descontado do benefício assistencial da criança para atender as necessidades do filho. No entanto, ela percebeu o desconto de valores altos, provenientes de um cartão de crédito que nunca foi contratado. Dessa forma, a mãe solicitou a suspensão dos descontos, a exclusão da reserva de margem consignada (RMC) do BPC/LOAS, a restituição dos valores pagos e a reparação por danos morais.

A decisão do TJMG

Ao analisar o caso, a juíza responsável concedeu uma liminar favorável, determinando uma oitiva do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), dado que a situação envolvia a contratação de empréstimo com um benefício assistencial de uma criança. O MPMG argumentou que os pais não poderiam contrair obrigações em nome de seus filhos sem a devida autorização judicial.

O banco, por sua vez, alegou que a contratação do empréstimo foi legítima, sustentando que a mãe havia confirmado a operação por meio de selfies. Porém, nem a mãe nem o banco apresentaram a autorização judicial necessária para validar o contrato em nome da criança. O parecer do MPMG foi no sentido de declarar a nulidade do contrato, devido à falta de cumprimento das formalidades legais.

Para a juíza, mesmo que a mãe tenha agido com culpa ao buscar o empréstimo para seu filho, a instituição financeira não poderia se eximir de suas responsabilidades ao firmar o contrato sem a devida autorização judicial.

Sendo assim, o TJMG determinou a devolução dos valores descontados do benefício previdenciário e estabeleceu a indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil, a ser liberado após a prestação de contas e o parecer do MPMG.

Fonte: TJMG

O pacote ideal para sua atuação no Direito Previdenciário. Teste grátis agora com 8 dias de garantia.

Colunista desde 2006

Sobre o autor desse conteúdo

Equipe IEPREV

O Instituto de Estudos Previdenciários (IEPREV), fundando em 2006 é uma instituição de destaque no cenário nacional, dedicada ao estudo, pesquisa e disseminação de conhecimento na área previdenciária. Fundado com o objetivo de promover a educação continuada e o aprimoramento técnico de profissionais que atuam no campo da previdência, o IEPREV tem se consolidado como uma referência para advogados, contadores, servidores públicos e demais interessados no tema. Além da atuação educacional e tecnologia, o IEPREV desempenha um papel fundamental na defesa dos direitos previdenciários por meio de iniciativas de grande impacto social. O Instituto elabora notas técnicas para orientar a advocacia e a sociedade em temas relevantes, participa ativamente como Amicus Curiae em ações judiciais estratégicas, contribuindo com pareceres técnicos para fortalecer teses em defesa dos segurados.

Os melhores conteúdos, dicas e notícias sobre direito previdenciário

Confira as últimas novidades em nosso blog

Salário-maternidadeÚltimas notícias
Queda na carência faz concessões de salário-maternidade dobrarem no INSS

Decisão do STF que igualou regras para autônomas e seguradas especiais impulsiona pedidos administrativos e gera reflexos no orçamento previdenciário.

Por Equipe IEPREV em 22 de Maio de 2026

Benefícios previdenciáriosÚltimas notícias
TRU da 4ª Região valida período de benefício por incapacidade como tempo de contribuição após a Reforma

Decisão unânime da Turma Regional de Uniformização garante que intervalos com auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez contem para aposentadoria, desde que haja recolhimento intercalado.

Por Equipe IEPREV em 21 de Maio de 2026

INSSÚltimas notícias
TRF3 condena INSS a indenizar idosa de 97 anos após negativa indevida de pensão por morte

O TRF3 condenou o INSS a pagar R$ 10 mil em danos morais a uma idosa de 97 anos. A autarquia negou indevidamente a pensão por morte do marido, ignorando que o benefício pode ser acumulado com a pensão do filho. Confira os detalhes do caso.

Por Equipe IEPREV em 19 de Maio de 2026

Ver todos